To Curate Yourself – Meu depoimento

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Eu sofri abusos sexuais durante a infância dentro da minha família. Aos 13 anos eu perdi a virgindade com uma pediatra que abusou sexualmente de mim, aos 13 anos também fui induzida a usar cocaína por um tio paterno traficante de drogas, usei por alguns meses até ele ser preso (ele tinha idas e vindas frequentes da cadeia, pois sempre fugia), mais tardar voltei ao uso, chegando a ter intoxicações pelo uso excessivo de drogas e alcool junto de transtorno alimentar e depressão crônica. Tive uma infância periférica, morando por pouco tempo em um bairro militar na cidade de Piquete e depois voltando a favela, especificamente a rua 24 do JV, uma rua de desova, principalmente nessa época passamos fome e eu tentava vender meus desenhos para revistas de skate e marcas de skate do Vale, pois convivia nesse meio,  na infância também, convivi com a minha mãe que era extremamente violenta e pai alcoolatra, porém, ela nunca teve culpa e foi tão vítima quanto eu (tanto ela, quanto minha vó, tias avós e bisavó passaram pelo mesmo que eu, numa escala muito pior, porque além de tudo eram indígenas ou caboclas) as violências que sofri eram quase que diárias, incluindo tentativa de homicídio.

Aos 17 para 18 eu sofri um estupro que quase me levou a morte, foi extremamente violento e guardei isso em segredo por um ano pois fiquei com medo da reação dos meus pais e o que o estuprador poderia fazer com eles, caso reagissem, afinal o mesmo era filho de militar. Desse ato engravidei e abortei, sozinha, e esse rapaz me perseguiu durante um tempo para tentar me matar, ele ficava me esperando em um parque perto de casa e tentava jogar o carro em mim, ele se matou no shopping da cidade, mais tardar em São Paulo, durante uma manifestação do aumento da passagem de ônibus, sofri abuso sexual de dois policiais sem identificação, com a desculpa de “revista”, mesmo indagando que esse ato era contra a lei, eles me disseram que era melhor ficar calada, se não, “seria pior”. Em Bogotá, durante a minha residência sofri ameaça de morte e estupro caso continuasse lidando com as mulheres, pois uma decidiu largar o marido que a mantinha em relacionamento abusivo, tive que adiar minha ida a fronteira para conhecer os campesinos com medo de sofrer um estupro. E bom, como toda brasileira vivendo no Brasil, também vivi os abusos diários que sofremos, desde a ser uma “roceira na cidade grande” buscando emprego e recebendo proposta de teste do sofá a ataques frequentes na rua. Por muito tempo odiei ser mulher, pois ainda tinha um “desvio de gênero” que me fazia sentir ter os dois sexos dentro de mim. Me mutilei diversas vezes, tentei me matar 3 com indução de coma, mistura de remédios tarja preta e uma série de processos auto-destrutivos que me levaram a ter uma série de distúrbios psicológicos  e alimentares como síndrome do pânico.

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